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O Mercado de Controle de Mosquitos

O Mercado de Controle de Mosquitos

O mercado comercial global de controle de mosquito está estimado em mais de US$ 8 bilhões (USD) e está concentrado principalmente nos EUA, Brasil e Europa. O controle do mosquito é direcionado para os estágios de desenvolvimento do mosquito: fase de larva – com o uso de larvicidas; e fase de adulto – com o uso de adulticidas. 

Adulticidas

O controle do mosquito adulto é a solução mais conhecida e reflete quase 40% do mercado total de controle de mosquito.

São, basicamente, inseticidas químicos residuais pulverizados no solo ou ar.

Estes produtos podem ser aplicados na forma de sprays com baixo volume (ULV), como tratamentos residuais superficiais ou são impregnados em mosquiteiros - mosquiteiros com tratamento, que são amplamente utilizados em muitos países assolados pela doença do mosquito transmissor em todo o mundo.

Pulverizadores ULV liberam gotas muito finas que transportam volumes relativamente baixos de pesticidas que permanecem no ar por longos períodos de tempo e matam os mosquitos adultos que entram em contato com eles. Inseticidas piretróides têm sido amplamente aplicados através deste sistema.

Essa forma de proteção individual, com mosquiteiros impregnados com insecticida (ITNs), tem se provado ser extremamente eficaz na redução da mortalidade por malária e dengue em regiões endêmicas na África e sudeste da Ásia e são a espinha dorsal na luta para livrar o mundo dessas doenças.

O grande problema dessa técnica é que, como a maioria das redes utilizadas até hoje sempre foram tratadas com inseticidas piretróides ao longo dos anos, populações de mosquitos resistentes a esse inseticida foram selecionadas, e para essas populações, o piretróiode é ineficaz. Essa é a razão do aumento significativo nos casos de malária na África e outras localidades onde o piretróide foi e continua sendo utilizado.

Larvicidas

Estes produtos são voltados para as fases imaturas dos mosquitos (larvas e pupas), que se desenvolvem em água parada.

A aplicação de larvicidas tem provado ser um método ecologicamente seguro e conta com as seguintes classes de produtos:

  1. Inseticidas químicos convencionais de amplo espectro, que matam as fases de desenvolvimento do mosquito
  2. Organofosfatos (Temephos);
  3. Óleos e filmes de superfície;
  4. Inseticidas à base de Bacillus thuringiensis (BTIs)

O uso de organofosfato caiu drasticamente devido à seleção de populações  de mosquitos silvestres resistentes a essas substâncias.

A utilização de óleos e filmes de superfície é um método não-seletivo que se destina a espécies praga que se desenvolvem em água, mas que respiram o ar na superfície da água.

BTis é a classe de produto direcionado ao estágio larval mais amplamente utilizada e têm provado serem extremamente eficazes, altamente seletivo e seguro para o meio ambiente

Soluções adicionais são suportadas pelo uso de repelentes químicos que impedem o mosquito adulto fêmea adentrar ambientes e casas onde estes repelentes são aplicados.

Estes repelentes são queimados na forma de serpentinas ou aplicados à pele, sendo estimado que, um terço da população dos EUA utiliza a aplicação sob a pele para protegê-los de doenças transmitidas por mosquitos.

Soluções Futuras

Wolbachia

Wolbachia são bactérias que vivem dentro de células de insetos e são passados de uma geração para a próxima através de seus ovos. A Wolbachia está presente em até 60% de todas as diferentes espécies de insetos ao nosso redor, incluindo alguns mosquitos, mas não no mosquito Ae. aegypti, agente transmissor de diversas doenças.

Quando presentes no inseto, essas bactérias reduzem a capacidade desses animais de serem infectados com diversos tipos de vírus, incluindo o vírus da dengue. Logo, se os mosquitos não forem infectados, eles também não o transmitem!

SIT (“sterile insect technique” – técnica do inseto estéril)

A técnica do inseto estéril é um método de controle biológico de insetos, em que grandes quantidades de insetos machos são soltos na natureza, que acabam por competir com os machos silvestres para acasalar com as fêmeas.

As fêmeas que se acasalam com um macho estéril não produzem descendentes, reduzindo, portanto, a quantidade de mosquitos produzidos na próxima geração.

Há vários métodos para produzir mosquitos estéreis “SIT” (1) Mosquitos geneticamente modificados (2) Radiação (3) Impedir o desenvolvimento da larva.

Existem muitos desafios que dificultam a implementação dessa tecnologia. Dentre eles, os principais desafios são: separar e eliminar as fêmeas durante o processo de produção de machos estéreis; gera machos que possam competir igualmente com os machos selvagens pela cópula com as fêmeas; barreiras de regulamentação, em especial nos casos de mosquitos geneticamente modificados. 

Apesar dos inúmeros esforços em promover o controle de vetores pelos métodos tradicionais, as doenças transmitidas por mosquitos continuam a representar um grande problema de saúde global.

Há um amplo reconhecimento da necessidade de ferramentas melhoradas para combater estas doenças, incluindo ferramentas para o controle de vetores.

Os esforços de controle dos mosquitos atuais dependem fortemente de métodos químicos, incluindo mosquiteiros impregnados com inseticida, pulverização de interiores com inseticidas, fumacê de inseticida em áreas externas e aplicação de larvicidas químicos.

Apesar da aplicação diligente de estratégias de controle disponíveis, incluindo melhorias e ampliação do uso de mosquiteiros, doenças transmitidas por mosquitos continuam a representar grandes desafios para a saúde global.

Especialistas da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmaram que: "Erradicação global da malária não pode ser alcançada com as ferramentas existentes".

Da mesma forma, em um Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais patrocinado pela OMS (OMS-PTDT) – o grupo de trabalho científico sobre a dengue reconhece que, "estamos falhando coletivamente a enfrentar a ameaça representada pela dengue a medida que a doença se espalha sem diminuir e agora, quase 40% da população do mundo vive em risco de contraí-la”.

A OMS reconheceu que, "ferramentas de controle de vetores inovadoras são extremamente necessárias", e em particular, que, "métodos que melhoram a capacidade de oferecer tratamentos persistentes de forma mais rápida e eficiente em grandes comunidades urbanas de forma sustentada, são urgentemente necessárias" (Relatório da OMS, 2012).

Limitações dos métodos atuais de controle de vetores incluem:

Incapacidade de atingir áreas de reprodução dos mosquitos (larvas) e de descanso de mosquitos adultos;

Evolução da resistência aos agentes químicos;

Questões de conformidade e de infra-estrutura;

Preocupação com o impacto sobre o meio ambiente e/ou toxicidade para os seres humanos; e, o mais importante, o custo. Os custos atuais para controle de vetores são substanciais;

E manter os altos níveis de doadores e apoio do governo nacional necessário para atingir alta cobertura de medidas de controle durante longos períodos de tempo tem se provado historicamente desencorajador.

Por exemplo, o custo total da estratégia global (incluindo tanto a aplicação no país e P & D para o controle do vetor, drogas, vacinas, e desenvolvimento de tecnologias de diagnóstico) é estimada em média de US $ 5,9 bilhões por ano entre 2011 e 2020. 

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